Prefeitura de Autazes vai gastar R$ 35 milhões para reformar prédios públicos

Prefeitura de Autazes vai gastar R$ 35 milhões para reformar prédios públicos

Autazes (AM) – A Prefeitura de Autazes firmou um registro de preços que pode chegar a R$ 35,3 milhões para serviços de manutenção predial preventiva e corretiva em prédios públicos municipais. O gasto foi autorizado por meio de Despacho de Adjudicação e Homologação do Pregão Eletrônico nº 024/2025 – SRP, assinado pelo prefeito Thomé Neto e publicado no Diário Oficial dos Municípios nesta terça-feira (6).

O processo prevê a contratação futura e eventual de empresas para atender diversas secretarias municipais, incluindo Saúde, Educação, Infraestrutura, Assistência Social, Cultura, Produção Rural e Meio Ambiente. Apesar de o modelo de registro de preços não obrigar a execução integral dos valores, o montante global chama atenção pelo impacto potencial nas contas do município.

De forma detalhada, o pregão distribui os valores por secretaria e tipo de reforma prevista. Para a Secretaria Municipal de Saúde, foi registrado o valor de R$ 9.665.800,00, destinado à manutenção preventiva e corretiva de unidades de saúde. Já a Secretaria Municipal de Educação, Desporto e Lazer concentra o maior montante individual, com R$ 12.452.741,20, voltados à reforma e conservação de escolas e demais estruturas educacionais.

A Secretaria Municipal de Infraestrutura aparece com previsão de R$ 10.037.346,50, valor direcionado a intervenções em prédios administrativos e estruturas vinculadas à pasta. Além disso, um quarto lote, no valor global de R$ 3.183.013,82, contempla reformas e manutenções distribuídas entre as secretarias de Assistência Social (R$ 795.753,46), Cultura e Turismo (R$ 795.753,46), Produção Rural (R$ 795.753,45) e Meio Ambiente (R$ 795.753,45), conforme discriminado no termo de adjudicação.

O Executivo municipal sustenta que o processo ocorreu de forma regular, sem recursos pendentes, e que a contratação seguirá as necessidades ao longo da vigência da ata. Ainda assim, o volume financeiro desperta questionamentos sobre planejamento, prioridades e capacidade de fiscalização da execução dos serviços.

Outro ponto que chama atenção é que o edital que deu origem ao pregão foi publicado em outubro de 2023, ainda durante a gestão do então prefeito Andreson Adriano Oliveira Cavalcante, conforme registro no Diário Oficial dos Municípios do Amazonas. Já a homologação e adjudicação do pregão eletrônico nº 024/2025-SRP ocorreram apenas em janeiro de 2026, sob a atual administração do prefeito Thomé Neto, o que evidencia um intervalo superior a dois anos entre a publicação do edital e a conclusão do certame.

Fonte – Licita já

Embora a legislação permita o aproveitamento de procedimentos iniciados em gestões anteriores, situações como essa exigem revalidação formal, parecer jurídico atualizado e demonstração de compatibilidade com os preços de mercado.

Além disso, há diferença entre o valor total estimado no edital original, que previa contratação de até R$ 34,15 milhões, e o valor global efetivamente adjudicado, que alcança R$ 35,33 milhões, conforme o despacho de homologação. A variação de mais de R$ 1,18 milhão levanta questionamentos sobre revisões de preços, ajustes de quantitativos ou eventuais atualizações monetárias, cujas justificativas técnicas não constam de forma explícita nos documentos públicos analisados.

Fonte – Licita já

Em contratos de grande vulto e com execução descentralizada por várias secretarias, esse tipo de divergência costuma estar no radar dos órgãos de controle, especialmente do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM).

Alertas Institucionais

Além do pregão milionário, novas informações publicadas no site do Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM) revelam que a Prefeitura de Autazes acumula, ao longo de 2025, uma série de processos de controle externo, envolvendo recursos, prestações de contas, auditorias e representações.

Entre os registros constam recursos de reconsideração contra acórdãos do TCE, prestações de contas anuais, análises de convênios com o Governo do Estado, além de representações do Ministério Público de Contas que apontam possíveis episódios de má gestão, falhas em políticas públicas e questionamentos sobre o quadro de pessoal.

Há ainda procedimentos relacionados a auditorias em concessões públicas, apurações sobre acúmulo ilícito de cargos, uso de recursos da COSIP, além de disputas envolvendo licitações e pregões, incluindo pedidos de medidas cautelares.

O conjunto de processos não representa, por si só, condenações, mas indica um cenário de intensa fiscalização sobre a gestão municipal. Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que, diante de gastos de grande vulto, a transparência e o acompanhamento dos órgãos de controle tornam-se ainda mais essenciais.

A administração municipal ainda não se manifestou especificamente sobre a relação entre o pregão milionário e os apontamentos registrados no TCE-AM.

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